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Superar limites é a chave para se transformar

Eu sempre quis voar de asa delta. Um sonho que parecia distante e que, em um minuto, tornou-se possível. Deixei o medo de lado, me propus o desafio e me joguei de cabeça, tirei os pés do chão. O resultado é encantador.

Eu, como qualquer outro ser humano, tenho o medo instalado dentro de mim, o que vejo, normalmente, como algo positivo, pois o medo até certo ponto nos preserva. Por outro lado, sei que já nasci líder. Meu pai já afirmava isso, e eu, naturalmente, era eleita chefe de turma, organizava as festas da sala, montava os grupos e nunca tive nenhuma dificuldade em tomar decisões. Especialmente na vida profissional, sempre me vi preparada para correr riscos, mas cada vez mais calculados.

Mas confesso que minha vida pessoal anda meio esquecida e tenho consciência de que é algo temporário, mas sempre fui audaciosa e isso me movia e me trazia alegria. Acredito que essa realidade entrou em choque quando, ao caminhar pela orla do Rio de Janeiro, em pleno carnaval, olhei para o céu e vi as asas deltas sobre o mar. Foi um momento forte, me remeti à adolescência e a um sonho antigo. Me senti feliz, senti novamente aquela empolgação que deixamos se esvair ao longo da vida de responsabilidade que nos impomos.

Fui até lá, conversei com o instrutor, que me explicou gentilmente o processo, a segurança, a sensação. Por que não? O que me impedia? Há mais de 20 anos, era um sonho distante, que parecia impossível. E agora estava ali na minha frente, praticamente abrindo os braços para mim. A possibilidade de tirar os pés do chão, abraçar a leveza literalmente, esquecer por alguns minutos do que é difícil ou do que tornamos dificuldade na vida. Lá em cima, tudo pareceria pequeno, ninguém volta igual de um voo livre.

Eu ainda estava reticente, quando aconteceu algo que me impulsionou profundamente: um senhor que também ouvia a explicação questionou se havia idade limite para voar. Não há? A partir de 16 anos, qualquer idade é permitida. E ele imediatamente falou: “então está marcado, amanhã trago minha mãe de 80 anos para voar”.

Aquilo foi determinante para mim: não preciso esperar ter 80 anos para realizar um sonho de adolescência. Não quero esperar que decidam por mim. Então, me desafiei e aceitei o desafio. Com o ano começando, falamos tanto de transformação, de esquecer os obstáculos e ir em frente. Eu fui e voltei mudada – meu modo de pensar e agir foi drasticamente e positivamente afetado. Tirar os pés do chão, literalmente, olhar aquele mundão lá de cima, sentir aquela liberdade que dá medo, mas também dá uma intensa sensação de prazer, renova a coragem para a superação de todos os limites.

4 Comentários

  1. Ricardo Vasconcelos Lelis disse:

    Boa noite Társia,

    talvez esse seja, até hoje, o post no seu blog que mais me tocou.

    Eu sempre encarei o medo como algo positivo no sentido que “quem tem medo, faz menos besteiras”, e me pego refletindo que as coisas não são bem assim.

    Eu tinha muita vontade de ter uma moto, mas todos me falavam dos perigos e uma pessoa me disse uma vez: “MOTO, QUANDO VOCÊ PERDE O MEDO É QUE FAZ BESTEIRAS E SE FERRA!”

    Talvez eu tenha carregado isso para outros pontos da minha vida. Talvez tenha sido um grande erro isso.

    Devemos sim correr riscos, perder o medo, mas devemos levar uma vida que nos ensine a mensurar tudo isso. Eu não concordo em “meter a cara às cegas” nas coisas. Devemos saber onde pisamos e onde queremos ir.

    Eu não sei se teria a mesma coragem de saltar da pedra no Rio, mas sem dúvida deve ser algo mágico.

    “Uma vez que você tenha experimentado voar, você andará pela terra com seus olhos voltados para céu, pois lá você esteve e para lá você desejará voltar..!”

    (Leonardo da Vinci)

  2. Guilherme disse:

    Gostaria de parabenizar o artigo e a importância de superar os limites e realizar os sonhos. Muito interessante a questão da senhora de 80 anos o que nos faz refletir o nosso momento a cada hora.

  3. Ivan Lacerda Soares disse:

    Suas histórias me emociona, sua coragem me faz te admirar mais e mais a cada instante que entro em seu mundo. Você é muito Especial!!!

  4. José Augusto Sampaio disse:

    Que máximo !!!! O voo livre é realmente algo inesquecível!!! concordo com você “ninguém sai de um voo da asa delta igual era antes da decolagem”!!!
    parabéns!!!

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