A empresa familiar e o desafio de estreitar diferenças

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Em uma realidade na qual mais de 90% das empresas tem origem familiar, o mercado brasileiro tem um grande desafio: aprender a profissionalizar a relação de parentesco, identificando os verdadeiros talentos e focando nas decisões que farão com a empresa cresça.

 

A grande maioria das empresas brasileiras é de origem familiar: “apenas cerca de 400 empresas nacionais são de capital aberto e com uma gestão realmente profissionalizada”, explica Tarsia Gonzalez, que é hoje presidente do conselho administrativo da Transpes, escolhida pelo terceiro ano consecutivo como a melhor empresa para se trabalhar no Brasil. Ela enfatiza: “como profissional, me refiro a uma gestão que vise o bem comum e que olhe a empresa de fora, mais com a razão e menos com o coração, sem deixar de ser humano”, explica.

Tarsia herdou a gestão da empresa do pai, fundador, e por tempos a dirigiu em parceria com os dois irmãos, um deles é hoje o CEO. “Chegou um tempo em que eu vi que precisava alçar voos maiores, mas jamais deixei de zelar pelo todo que a companhia representava, tanto que voltei para o conselho, uma forma de realizar exatamente essa profissionalização em que acredito”.

Profissionalizar

Não é fácil profissionalizar uma empresa familiar: “nós tivemos uma educação criteriosa e que nos tratou, independentemente de serem dois meninos e uma menina, como iguais. Tive os mesmos privilégios e as mesmas obrigações. Isso acabou nos dando um senso de justiça perante as diferenças”, revela Tarsia.

Senso esse que serviu para separar o que faz bem para a companhia do que faz bem apenas ao ego ou a um grupo de pessoas. A diferença de uma empresa profissional é que ela cria processos que se tornam maiores do que as pessoas, embora devam funcionar para que as pessoas sejam as grandes privilegiadas.

Tarsia explica: uma companhia tem que funcionar como uma engrenagem perfeita, independente de quem esteja no comando, e isso acontece quando os processos são coerentes e realmente condizentes com as necessidades setorizadas e com a totalidade da organização.

Estar em uma empresa familiar não significa que você não seja profissional ou esteja fadado a contribuir menos com o todo. Pelo contrário: o ambiente de uma empresa familiar é repleto de desafios e possibilidades de crescimento. O que mais importa é estar apto a observar, absorver conhecimento e colocar-se como parte, assim, como qualquer um que faça parte da história da companhia. “Todo cargo e toda pessoa importa, só o todo faz uma empresa realmente grandiosa”.

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